quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Investindo no futuro

Vejam que bacana essa matéria.. Tomara que com mais estudo, as pessoas tornem-se mais críticas e conscientes do seu papel como cidadãs..

O sonho de consumo da classe média emergente do país está distante das lojas de eletrodomésticos e dos corredores dos shopping centers. Os novos consumidores brasileiros querem mais, muito mais, e apostam na educação como o passaporte que vai levá-los a consolidar a melhoria da qualidade de vida conquistada até aqui. Entre 2002 e 2009, o número de universitários no Brasil saltou de 3,6 milhões para 5,8 milhões e esse movimento se deve à inclusão de estudantes de menor poder aquisitivo no ensino superior.

Segundo o Instituto Data Popular, em 2002 a classe A representava 25% dos universitários e a D, 5%. Em 2009, a situação se inverteu com apenas 7,3% pertencentes à classe A e o dobro (15,3%) à D. Entre 2003 e 2009, a escolaridade do brasileiro aumentou, em média, em um ano de estudo, informa a Fundação Getulio Vargas (FGV). No mesmo período, a proporção de pessoas com 12 anos ou mais de estudos nos domicílios brasileiros saltou 35,65% para os chefes de família e 39,51% para os cônjuges.


Fabrício Lourenço Coelho, 27, casado e pai de uma filha de dois anos, é operador de máquinas da Forno de Minas. Terminou o segundo grau em 2001 e logo em seguida preocupou-se em fazer um curso técnico de contabilidade. Nessa época, trabalhava como ajudante de produção na empresa e ganhava pouco mais do que um salário mínimo. Hoje a realidade mudou e no novo cargo o salário saltou para R$ 1.167.

Com rendimentos totais de R$ 2 mil, a família optou por investir na educação do chefe da casa. Hoje, Fabrício cursa o 7º período de engenharia de produção numa faculdade particular, onde paga uma mensalidade de R$ 870. Isso quer dizer que investe 74,5% de tudo o que recebe no sonho de se formar engenheiro, meta que alcançará no ano que vem. “Estou buscando melhores oportunidades na vida. Para isso, abri mão de comprar muitas coisas. Agora que estou tão perto, preciso de um estágio”, diz.

Para Marcelo Neri, coordenador do Centro de Políticas Sociais (CPS) da FGV, a grande revolução da nova classe média brasileira não se dará pelo consumo, como se tem enfatizado, mas pela evolução de sua capacidade de gerar renda. E para aumentar a renda, é preciso acesso à educação. “Esse é um passo positivo em relação ao futuro porque a educação é um investimento de longo prazo”, observa.


Fazendo a diferença

Na década de 1990, 16% das crianças brasileiras estavam fora da escola. Em 2000, esse percentual caiu para 4% e hoje está em 2%. “A escola (pública brasileira) é ruim, as crianças ficam pouco tempo, mas mesmo assim a presença delas ali tem feito a diferença. A desigualdade está caindo e a renda aumentando.” Um dos fatores que contribui para essa mudança, segundo ele, é a redução do tamanho das famílias de baixa renda. Na década de 70, eram 6,2 filhos por mulher. Hoje é 1,9 filho por mulher, em média.

Mariana Marques Cabral, de 16 anos, cursa o primeiro ano do ensino médio no Colégio Padre Eustáquio, em Belo Horizonte. Ela vive com a tia, Flávia Santos Marques, gerente administrativa da Acqua Quality, e com o tio, Marcos Marques de Mattos, instalador de acessórios. A renda do casal gira em torno de R$ 4 mil, mas a família não abre mão de oferecer à sobrinha, que adotaram, a melhor educação que puderem.

Hoje os gastos com a mensalidade da escola, de R$ 560, se somam aos do cursinho preparatório para o Cefet e o Coltec (escolas técnicas federais e gratuitas), no qual investem R$ 195 ao mês. “A prioridade em nossa casa é a educação. Sem estudar, ela não poderá ser alguém na vida. Só estudando terá condições de formar uma família sem depender do marido”, explica Flávia.

“Se existem otimistas neste país, eles estão nas classes C e D. A principal aposta de futuro é a educação”, resume Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular. É assim porque, segundo ele, essa não é uma aposta ‘fim’ e sim uma aposta ‘meio’. “Se eu quero comprar um carro, o fim está nesse carro. Mas a educação vai servir para várias outras conquistas.” Cada ano de estudo, segundo as projeções do Data Popular, elevam o salário em 15%. “Por isso, as classes emergentes encaram a educação como um investimento. Esse investimento é um meio de conquistar outros sonhos.”

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/11/03/economia,i=221420/FAMILIAS+DE+CLASSE+D+INVESTEM+MAIS+EM+CURSOS+SUPERIORES+E+ESCOLAS+TECNICAS.shtml

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